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Batalha de Versos

Batalha de Versos

January 1, 2017

Um campeonato de poesia onde os participantes têm até três minutos para se apresentar com um texto de autoria própria, sem o uso de adereços ou acompanhamento musical e com a avaliação de um júri escolhido na plateia do próprio evento. Essa batalha de versos se chama Slam, começou nos anos 80, em Chicago, EUA, e rapidamente se espalhou pelo mundo. Chegou ao Brasil nos anos 2000.

O telefilme BATALHA DE VERSOS, de 80 minutos, pretende percorrer os eventos de Slam promovidos no Brasil para entender a dinâmica da competição, conversar com poetas e espectadores a fim de traçar um perfil político e social de seus atores e, ainda, chamar ao debate historiadores e pensadores contemporâneos para, em conjunto, tecer um panorama sobre essa manifestação cultural, suas dinâmicas, regras e relações de sociabilidade, suas semelhanças e tensões com os saraus periféricos, com o movimento de literatura marginal e com o hip-hop.

A realização da obra se justifica pela diversidade do Slam, que é um espaço de democratização da narrativa e da literatura brasileira que dá voz a artistas da periferia e pessoas marginalizadas, de diferentes idades, raça, etnia, classes sociais, crenças, orientações políticas e filosóficas. Segundo a pesquisadora Jéssica Balbino, uma das principais representantes da cultura de periferia dentro da imprensa brasileira, “para competir no Slam, a pessoa não precisa ter livro publicado, ser rapper, ser artista, nada. Vale para donas de casa, taxistas, vendedores, etc.” (Fonte: Nexo – 20/12/2016).

Além da própria Jéssica, estão entre as possibilidades de entrevistas para o telefilme os “slammers”: Roberta Estrela D’Alva Roberta – criadora do Zona Autônoma da Palavra, primeiro Slam do Brasil; Mel Duarte – vencedora do Campeonato Mundial de Poesia do Rio de Janeiro em 2016; Luz Ribeiro – primeira mulher a vencer o BR-Slam, em 2016, e representante brasileira na Copa do Mundo de Paris, em 2017; João Paiva – representante brasileiro na Copa do Mundo de Paris, em 2015; Jade Fanny – ganhadora do Slam Resistência em novembro de 2016; e o pesquisador Marcello Giovanni Pocai Stella, que publicou o artigo “A Batalha da Poesia…” no endereço eletrônico: http://pontourbe.revues.org/2836. Também serão licenciados vídeos de banco de imagens com performances e entrevistas de “slammers” internacionais com destaque no cenário atual.

Atualmente, existem em torno de trinta Slams no Brasil, a maior parte localizada no estado de São Paulo. Estão entre eles: ZAP!Slam, Slam da Guilhermina, Menor Slam do Mundo, Slam do 13, Slam do Grito, Slam do Corpo, Slam Resistência, Slam do Corre, Slam Função, Slam da Ponta e Rachão Poético. No Rio de Janeiro estão: Slam Tagarela, Haicai Slam e Slam das Minas. No Distrito Federal estão: Slam DéF e Slam das Minas. O Slam Clube da Luta é o único com registro de realização em Minas Gerais. Há, ainda, campeonatos de abrangência nacional, como o Slam BR, que habilita o vencedor à vaga na Copa do Mundo de Poesia Slam, realizada anualmente em Paris. Em países como Estados Unidos, França, Inglaterra e Países Baixos esse formato de competição é amplamente reconhecido e mediatizado.

A apresentação dos personagens do telefilme será em formato de batalha de versos, com cinco “slammers” escolhidos como protagonistas declamando uma poesia de autoria própria em um contexto de competição, mas ainda sem mostrar a plateia ou o júri para o qual se comunicam. Os textos devem revelar indícios da origem e da orientação política do participante. Em seguida, eles serão mostrados em sua rotina fora do Slam: onde moram, com quem se relacionam, qual a profissão exercida, o que fazem nos momentos de lazer. Entre os protagonistas devem estar o próximo representante do Brasil na Copa do Mundo de Poesia Slam, em Paris; e Roberta Estrela D’Alva Roberta, que introduziu o Slam no Brasil.

O primeiro ato se inicia com um ou mais organizadores de eventos de Slam, de preferência o Slam BR, descrevendo a dinâmica das competições regionais: a escolha do local, a inscrição dos participantes, a definição do júri, a política de notas e as regras de apresentação. Todas as etapas serão demonstradas a partir de vídeos captados em competições locais. Os protagonistas do telefilme, assim como outros poetas de diferentes idades, gênero, raça e etnia, serão vistos participando das seletivas.

Durante o segundo ato historiadores e pensadores contemporâneos serão convidados a traçar uma perspectiva histórica sobre o Slam: onde surgiu, quando, a partir de que atores e com quais objetivos. Também devem analisar o perfil dos participantes, e as dinâmicas, regras e relações de sociabilidade presentes nessa manifestação cultural. Por fim, será traçado um paralelo entre o Slam e os saraus periféricos, o movimento de literatura marginal e o hip-hop.

O terceiro ato traz os bastidores e as disputas do evento nacional, o Slam BR edição 2017. Estarão presentes, como finalista, júri, organizador ou plateia, todos os cinco protagonistas do telefilme, que também tecerão comentário sobre a importância da poesia em suas trajetórias pessoais e profissionais. O ato se encerra com a premiação do vencedor da competição nacional, escolhido próximo representante brasileiro em Paris.

A conclusão do telefilme será em Paris, 2018, e trará registros pessoais do competidor brasileiro em sua viagem à Europa para participar do mais importante evento mundial da categoria. Encerra-se com apresentação brasileira na competição, sem revelar os vencedores.

O projeto não tem como foco a temática de gênero, ainda assim existe uma preocupação em ter protagonistas femininos e masculinos, em sua diversidade, entre os poetas, produtores culturais e especialistas convidados para a obra.